31 agosto 2011

UMA APRENDIZAGEM

" Mais uma vez, nas suas hesitações confusas, o que a tranqüilizou foi o que tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era, tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase insensível à mulher. "
Clarice Lispector

17 agosto 2011

.: SUPLEMENTO :.

ESPELHO

Todos deviam estavam dormindo. Mas cadê que ele tirava pelo menos um cochilo, pra me deixar em paz... Paz? Nem com rivotril, diazepan. Pelo menos enquanto esse safado estivesse no controle. Ah!... algumas páginas depois... Ele, com seu cheiro, sua língua, seu olhar me fuçando, e suas mãos e pernas e dentes e boca, e exausto. Só de lembrar, me desviro, me molho, me cavo. Socorro! Um mogadon! Preciso sumir por uns capítulos. Senão me acabo. E ele, agora, só me observando. Tem vouyeur de todo tipo. Mas esse é foda, literalmente. E vale por dois, três, sei lá, já perdi a conta. Porque, quando a gente pensa que ele arriou, aparece outro, e outro, e outro personagem – ou persona? E o fogo morro acima, engolindo, caniveteando – pra doer mesmo, ele diz – e outra vez subindo, consumindo, que nem rescaldo que ninguém consegue apagar. Depois, a puta sou eu, que não tenho culpa de ter nascido ás três da manhã, no meio de um monólogo interior (que dizem que é o que acontece quando a gente conversa sozinha, fala, desfala, e ninguém chama de doida), numa história sem pé nem cabeça – mas com muita sacanagem. Pelo menos todas as que pudermos imaginar, os todopoderosos de todas as páginas – autor, escritor, narrador, contista, poeta, personagem e, mais que todos juntos, você e sua quimera, sua cabeça de leão, seu corpo de cabra, sua cauda de serpente, suas narinas de fogo e seu desejo inconfesso e incontido, meu caro leitor.
Dagmar Braga


09 agosto 2011

ON THE BRIGHTSIDE

On The Brightside (tradução) - Never Shout Never

Eu conheci um homem de 60 centímetros de altura
Este homem era muito ambicioso
Em um mundo que é tão doentio para todos nós
Eu disse 'oi' e assim que ele respondeu
Ele disse 'ouça essas palavras'
Que eu tenho vivido por toda a minha vida

Você só é tão alto quanto o seu coração deixa ser
E você só é tão pequeno, quanto o mundo faz você
parecer
Quando as coisas correm mal e você sente como se
pudesse desmoronar
Apenas olhe pelo lado positivo. Você mede um metro e oitenta

Eu conheci um homem de 3 metros e meio de altura
Ele era como um gigante
Em um mundo que era desafiador de sua altura
Eu disse 'oi' e quando respondeu
Ele disse 'ouça essas palavras'
Que eu tenho temido toda a minha vida

Você só é tão alto quanto o seu coração deixa ser
E você só é tão pequeno, quanto o mundo faz você
parecer
Quando as coisas correm mal e você sente como se
pudesse desmoronar
Apenas olhe pelo lado positivo. Você mede um metro e oitenta

Eu sou um homem de um metro e oitenta
Procurando por respostas
Em um mundo que não responde nada
Eu irei dizer 'oi' mas sem resposta
Para as cartas que você escreve
Porque eu encontrei alguma paz de espírito

Porque eu só serei alto, se o meu coração me deixar ser
E sou tão pequeno quanto o mundo me faz parecer
Quando as coisas correm mal e eu sentir como se
fosse desmoronar
Eu irei olhar pelo lado positivo, e meu metro e oitenta de altura



07 agosto 2011

ERROS

Nada mais comum e simples que errar... e nada é mais necessário que errar.

Muitos se culpam por erros cometidos, pelos sofrimentos causados e afins. Torna-se uma constante cobrança uma vida de acertos eternos, como se errar fosse uma demonstração de falta de preparo, atenção e dedicação.

Essa necessidade de ser certo em tudo na vida me tira todo o prazer de poder viver uma vida de descobertas... pois parece que como outros já viveram algo parecido com o que vivo, eu tenho que escutar sobre seus erros e aprender com eles, aprender com erros alheios, em situações de uma vida que não me pertencem, que não cabe a mim saber o que foi que fez seu erro não ser um acerto.

Errar não deveria ser uma vergonha, mas um orgulho pessoal de ter-se dado ao esforço de tentar em seu máximo pessoal fazer o que ainda não se sabe com perfeição... errar é para mim uma grande demonstração de coragem pessoal.

Pois bem, errar me é talvez a coisa mais bela a qual me dou o trabalho diário... Pois sim, erro no amor, na dor, no estudo, no trabalho... e como erro. Ainda melhor, enxergo meus erros, tento admiti-los e não esconde-los como costumam fazer. Nada melhor que ver no que se esta errando para tornar cada erro um novo acerto.
Assim, acertar não me é simplesmente copiar receitas prontas de vidas alheias, mas sim, a demonstração de toda uma história do pouco que vivi, mas do muito que aprendi.

"O medo de errar muitas vezes nos leva ao erro, e o desejo excessivo de acertar nos rouba a naturalidade"


01 agosto 2011

INSÔNIA

O céu estrelado de adesivos no teto de meu quarto me faz companhia nas longas noites de tortura. Horas e horas passam dentro de casa minuto... a noite sabe ser longa como mais ninguém.
O casulo de meu coberto não me serve para tantas metamorfoses que sofro durante a noite, enquanto reflito, reflito, reflito.
No espelho da minha vida assistida, decido, desisto, insisto e não chego a nada.
E por aqui continua minha grande companhia de noites de frio... Insônia.
Gustavo Brito